25 jun Carlos Portugal Gouvêa comenta projeto de pagamentos do WhatsApp em entrevista ao 6 Minutos

Em entrevista ao site 6 Minutos, nosso sócio Carlos Portugal Gouvêa avalia entrada do projeto de pagamentos instantâneos do WhatsApp no mercado brasileiro, barrada pelo Cade.

Confira a participação do nosso sócio na reportagem:

A decisão do Cade de suspender a operação faz sentido? Do ponto de vista da defesa da concorrência, a posição do WhatsApp no mercado de programas de mensagens é dominante, o que tende a estimular comportamentos monopolistas. Eles possuem participação quase inegável no mercado de mensagens, tanto que é difícil pensar de pronto em um concorrente. O Telegram, talvez? Nos Estados Unidos, o WhatsApp ainda concorre com serviços como o Messenger, da Apple, mas aqui no Brasil isso quase não existe.

Nesse cenário, existe um problema de utilizar um mercado onde você tem posição dominante para dominar outros mercados. E nesse caso, você teria a conjunção de duas empresas potencialmente dominantes, o WhatsApp e a Cielo.

O Facebook, aparentemente, não submeteu o seu projeto ao BC. Esse foi um erro? É um erro crasso de qualquer agente que queira entrar de uma forma tão significativa no mercado de arranjos de pagamento não apresentar sua proposta ao Banco Central.

Esse é um mercado que possui regulamentação própria, que permite a entrada gradual no sistema.

Há alguns critérios: operações com movimentação de valores abaixo de R$ 500 milhões por ano não precisam de autorização do BC. Mas nesse caso, ao juntar atores importantes como o WhatsApp e a Cielo, é evidente que em poucos dias você já ultrapassaria esses R$ 500 milhões.

O adequado, do ponto de vista do Facebook e Cielo, seria apresentar essa proposta, até porque todo mundo sabe que o Banco Central está implementando um sistema de pagamentos instantâneos, o PIX, que entra em vigor em novembro. O objetivo do PIX é reduzir custos, aumentar a velocidade e dar mais segurança às transações.

Quais seriam os riscos à concorrência? Daqui a alguns anos, o principal risco é de aumento de taxas. Em uma situação de domínio do mercado, os preços cobrados por transação, por exemplo, poderiam aumentar, até para conseguir manter uma estrutura que evita fraudes.

Além disso, o uso de uma estrutura para monopolizar outros mercados, por si só, é uma infração. Isso já foi tentado inúmeras vezes por empresas de tecnologia. O Windows, por exemplo, já inseriu um navegador no seu sistema operacional para tentar concorrer com outros navegadores. Isso, do ponto de vista da defesa da concorrência, é usar uma posição dominante para entrar em outros mercados.

Essa é uma preocupação não apenas do Banco Central brasileiro, mas de todos os bancos centrais pelo mundo. No Brasil há um certo deslumbramento com a tecnologia, como se essa decisão do BC limitasse a inovação. Mas se isso fosse tão bom, porque o Facebook não faz isso nos Estados Unidos? Por que não convence o Fed que não vai gerar nenhum problema?

Para ler a matéria completa, acesse: https://6minutos.com.br/negocios/facebook-errou-ao-nao-submeter-whatsapp-pay-ao-bc-e-cade-diz-especialista/